Publicado em 2018-07-26 20:01:09

Estabelecimentos de pequeno porte são tendência no segmento de supermercados

Pesquisa do Sincomercio revela que esse tipo de empreendimento é mais resistente às crises econômicas; Nos últimos 3 anos foram os que mais contrataram

    Levantamento feito pelo Núcleo de Economia do Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara (Sincomercio), com base em dados do Ministério do Trabalho, aponta que o número de contratações no segmento supermercadista, com até quatro funcionários tem crescido desde 2015. A pesquisa revela também que nos últimos três anos esse tipo de empreendimento foi o que mais contratou.

    Antonio Deliza Neto, presidente do Sincomercio, explica que em períodos de crise, os minimercados tendem a ser mais resistentes. “Esse tipo de estabelecimento possui uma clientela fixa e fidelizada e uma proximidade maior com esse consumidor, identificando as suas novas demandas com mais facilidade e conseguindo se adaptar rapidamente às mudanças de mercado”.  

   Outro fator positivo, é que no atual período de crise do país há um aumento dos novos empreendimentos como uma alternativa ao desemprego, o que ajuda a explicar a localização mais periférica desses pequenos supermercados. Geralmente eles estão instalados em bairros residenciais, locais que, em geral, as grandes redes supermercadistas não chegam. “O sucesso é praticamente garantido, já que atendem rapidamente as necessidades diárias dos clientes sem longos deslocamentos e cultivam a ideia de comunidade”, ressalta Deliza.

 Evolução do emprego formal por número de funcionários no estabelecimento – De 2015 a 2018* - Segmento Supermercadista

 

Fonte: CAGED – MTE Elaboração: Sincomércio. *Até maio de 2018

 

“Atacarejos”

   O Atacarejo é uma forma moderna de comércio, que une características dos dois tipos de comercialização: o atacado e o varejo. Essa tendência do setor de comércio de bens alimentícios possui a proposta de ofertar o menor preço aos clientes, independente se a compra é de pouca ou grande quantidade.  “Esses estabelecimentos vêm ganhando mais espaço no mercado porque atendem a rápida mudança de preferência do consumidor que diante da crise econômica que o país vive opta por produtos com preços melhores, além dos benefícios tributários que essas empresas têm com relação ao ICMS” afirma Deliza.

  Geralmente localizados em áreas mais afastadas, os atacarejos buscam a redução de custos operacionais em suas unidades através de diversas estratégias, como o uso da própria estrutura do negócio para o armazenamento dos estoques, eliminando custos de transporte entre centros de distribuição e o supermercado. Antonio Deliza, presidente do Sincomercio, explica que esse tipo de loja está mais focado em garantir um preço competitivo do que na experiência de compra do cliente. “Eles reduzem os investimentos relacionados às percepções sensoriais, aromas e iluminação, não priorizando na variedade de marcas e produtos para diferentes públicos”. 

 É importante notar que tanto os minimercados quanto os atacarejos funcionam com custos mais baixos do que os supermercados habituais, apesar de cada um priorizar aspectos diferentes nas vendas. Enquanto um garante ao cliente um atendimento mais próximo e facilidade para o dia-a-dia, o outro prioriza preços mais competitivos e menos variedade. “O perfil do consumidor vem mudando, e aqueles empreendimentos que conseguirem participar desse processo de mudança de forma ativa terão bons resultados em vendas nos próximos anos”, completa o presidente do Sincomercio.